segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TERAPIA DE VIDA PASSADA (T.V.P)



Por Cynthia Marsola
Psicóloga

A terapia de vida passada é uma abordagem psicoterápica transpessoal (considera o homem um ser bio- psico- social/cultural e espiritual), que utiliza-se dos estados alterados de consciência (E.A.C) e da hipótese de trabalhar com a reencarnação.
Ela pode ocorrer espontaneamente ou provocada. Espontânea, pode ser através de sonhos recorrentes ou quando algum fato do dia-a-dia remete a uma lembrança inconsciente, aí tem-se a sensação de já ter vivido ou sentido tal situação. Provocada, se obtém através de técnicas cujo objetivo é a melhora do indivíduo.

Seus objetivos são:

- a mudança de comportamentos, valores, atitudes, crenças, reações emocionais e físicas;
- facilitar caminhos de transformação no aqui e agora;
- mudança na perspectiva do Eu;
- mudança da meta existencial para atingir seu propósito individual - pessoal e ampliando com o Cósmico.

Nesta abordagem, a técnica que o profissional utilizará como ferramenta será a regressão de memória, mas não é exclusiva, existem outras formas de se levar o indivíduo a um E.A.C.

- Como funciona?

Resp: O indivíduo procura um profissional especializado e responsável na técnica, faz algumas sessões para o levantamento de dados sobre a queixa em que denominamos de anamnese e estando de acordo e apto prosseguimos com o tema que o cliente quer trabalhar.

Segundo M. Menezes (2009), o indicado é buscar conteúdos que mesmo estando inconsciente para o indivíduo, interfira na dinâmica de sua vida atual quer através de reações inadequadas, dores físicas, emoções desproporcionais, comportamentos distorcidos ou qualquer outro aspecto que represente dor, desconforto, conflito ou sofrimento.

Quando dizemos inconsciente aqui, nos referimos aos seus conteúdos de experiências ocorridas ao longo da trajetória existencial do indivíduo, e isto inclui as vivências passadas, de períodos intra uterinos desta ou de outras encarnações, perinatal, primeira infância ou qualquer outra fase do desenvolvimento da personalidade atual – e que atuam de forma significativa na estruturação da personalidade. Isto define, quando esta terapia deve ser aconselhada.

- Tem alguma restrição?

Resp: Sim. Para os casos de psicoses, para as pessoas sobre o efeito de entorpecentes, as gestantes ou por simples curiosidade.

- Quantas sessões são necessárias?

Resp: Não existe um número específico de sessões, mesmo porque cada pessoa possui uma necessidade.

- Existe algum perigo de eu não voltar de uma regressão?

Resp: Não, pois o procedimento ocorre o tempo todo com o cliente consciente, portanto pode ser interrompido o momento em que desejar. Mesmo porque ele não vai a lugar nenhum, o que ele presencia são imagens como se ele estivesse numa cena de um filme (como se estivesse atuando), como quadros ou como se estivesse vendo a cena de fora do ocorrido (como se estivesse na platéia). E de acordo do como vê, sente, que poderá ser no emocional ou no físico. É o que denominamos de Catarse (grego: Katharsis = purgação – a liberação e a descarga emocional que podem ocorrer durante diversos tipos de psicoterapias).
Mas, isto é, de pessoa para pessoa, mesmo porque cada um possui um tipo de sensibilidade e de percepções extra-sensoriais.

- Sou espírita, será que é certo eu lembrar do meu passado?

Resp: Claro que para todas as regras existem exceções. Não vamos deixar de auxiliar aquela pessoa que por alguma razão está tendo regressões espontâneas ou aquela outra, que já procurou um diagnóstico médico para suas dores e não encontra nada, e continua com algum desconforto. Mas para as pessoas que não possui uma queixa específica e consegue conduzir sua transformação sozinha não há necessidade de “cutucar a onça com vara curta”.
Agora dizer se está certo ou errado, quem somos nós, o importante é auxiliar a pessoa no seu desconforto e entender que sempre tem um aprendizado no que nos acontece.


Esta técnica, bem sabemos, é também muito aplicada na terapêutica espírita com nossos irmãos em processo de desobsessão. Esses irmãos cristalizados em ódio, onde muitos cometeram crimes hediondos a espiritualidade utiliza de recursos que o levem a assistirem diante de si, projetando em telas, cenas as quais demonstram passagens de suas vidas anteriores, com o propósito do arrependimento, conduzindo-os ao despertamento e o auto-perdão.

O propósito do retorno ao passado, seja do encarnado ou do desencarnado em E.A.C é sempre na condição de uma reavaliação, um aprofundamento nas raízes psíquicas do sofrimento e conseguir desligar-se das situações atuais das quais não faz mais parte.

Segundo S. C. Schubert (2003), “A T.V.P é conquista muito importante, recentemente lograda pelos nobres estudiosos das 'ciências da alma'. (...) mas ainda devemos considerar que cristalizações de longo período, no inconsciente, não podem ser arrancadas com algumas palavras e induções psicológicas de breve duração. (...)

(...) O espírito que está sendo levado à regressão assume, então, a personalidade de cada época que está sendo desvendada, nas quais localizará as nascentes de seus sofrimentos, as suas quedas e desvios, conscientizando-se afinal que não é este o caminho da felicidade.

A regressão é sempre um impacto decisivo para a motivação dos espíritos às mudanças no curso de suas vidas.

Para Woolger (2008), existem 4 maneiras de considerar as vidas passadas:

1. Abordagem paranormal: inclui a percepção de vidas passadas e o transe mediúnico.

2. Abordagem parapsicológica: favorece uma investigação científica e experimental da hipótese da existência de vidas passadas.

3. Abordagem religiosa: apresenta ou explica a reencarnação como artigo de fé.

4. Abordagem psicoterápica: usa a regressão a vidas passadas em benefício da transformação terapêutica.



Referências:

- Menezes, M. - “Apostila do curso de formação – do Instituto Vita Continua”. São Paulo – 01/2009

- Revista Cristã de Espiritismo – Ano 04 – nº 22 – Editora Escala.

- Schubert, S. Caldas - “ Os poderes da mente” - São Paulo – Editora Bezerra de Menezes, 2003.

- Woolger, R. J - “As várias vidas da alma”. - Editora Cultrix – S.P. - 2008.