segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tecnologia Educacional e o Professor



Por Agatha Gonçalves

(Pedagoga e Pós-Graduanda em Tecnologia Educacional -
Colaboradora do Projeto aqui no blog)

Percebemos que o uso das tecnologias se faz presente no nosso cotidiano, são ferramentas que nos impulsionam a ampliar o ciberespaço e a disseminar a cibercultura, portanto são condições de ordem social, cultural e também de cidadania, é um processo na sociedade que está em movimento e não temos a opção de deixar de participar e muito menos afastar nossos alunos desta realidade. Se participarmos, podemos colaborar com a nossa sociedade de maneira significativa, se não participarmos deste momento, ficaremos perdidos no tempo, considerados infoexcluídos.

De um lado, os nossos alunos estão cada vez mais ligados as tecnologias, realizam diversas atividades com o computador ao mesmo tempo, tem o HD e o celular como partes de seus corpos, como extensão das suas memórias, criam formas de se comunicar quando fazem abreviaturas no comunicador instantâneo ou utilizam de emoticons para expressar seus sentimentos, com suas câmeras registram tudo o quiser ou quando tem dúvidas, recorrem ao Google e em segundos encontram milhares de site sobre o assunto.

Do outro lado ainda encontramos alunos que não tem acesso as novas tecnologias, e a escola como matriz de cultura deveria ter a responsabilidade de dar pelo menos as mínimas condições aos educandos deste acesso e introduzi-los a nova maneira de relacionar-se, pensar, já que a sociedade e o mercado de trabalho exigirão conhecimentos sobre o assunto. Não é só ter máquinas, é ter um uso que realmente acrescente na vida do educando.

Entre professores e as tecnologias, não deve haver competições, desde que os professores percebam as necessidades e a transição da sociedade de hoje e dos próximos anos. Temos disponíveis na rede muitas informações mas cabe ao professor mostrar como devemos aprender e não dar respostas prontas.

Para garantir boas aulas, não dependemos de máquinas de última tecnologia, pois a boa aula depende exclusivamente da postura do professor e do seu comprometimento com o desenvolvimento do educando. O mundo tecnológico avança cada vez mais rápido e não conseguiremos ficar presos aos mesmos recursos, pois os mesmos se tornam obsoletos ou são superados por outros novos:


A competência do professor deve se deslocar no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor se torna um animador da inteligência coletiva dos grupos que estão em seu encargo. Sua atividade será centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens; do incitamento à troca de saberes, à mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem. A proposta é um aprendizado contínuo. (Setton, 2010.)

Enquanto houver resistência a cultura digital e a entender que estamos diante de uma nova realidade que nos exige nova postura, nossos alunos ainda continuarão se relacionando com a tecnologia e a escola será o lugar menos prazeroso de se estar e o que menos pode acrescentar de verdade na vida deles, perdendo sua credibilidade e deixando a desejar na sua participação na socialização do indivíduo, e aos que não acessam, resta a esperança de a escola os dê estas condições de socialização com os dias atuais. Não é modismo e sim uma ponte para que o educador deixe de lado a velha postura para assumir uma nova condição dentro da sala de aula, onde "o ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a produção ou a construção." (FREIRE, 1996).

"Pela primeira vez, a formação de um indivíduo pode se tornar obsoleta com o passar de alguns anos de diplomação." (Maria Graça J. Setton)

Referências:

-Paulo Freire- Pedagogia da Autonomia;

-Maria Graça J. Setton- Mídia e Educação.