terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cacique Seattle -

imagem: google

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz já mais de cento e cinquenta anos. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:
"Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A idéia não tem sentido para nós. 

Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los? Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento, quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os gamos, os cavalos a majestosa águia, todos nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e do homem, tudo pertence a uma só família.

Assim, quando o grande chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.
A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de lembrar a nossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida do meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais. 

Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a nossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.

Nós mesmos sabemos que o homem branco não entende nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. A cova de seus pais é a herança de seus filhos, ele os esquece. Trata a sua mãe, a terra, e seus irmãos, o céu como coisas a serrem comprados ou roubados, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho.

Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal, nada possa compreender.

Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume dos pinhos.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que vossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

 Assim, consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, farei uma condição: O homem branco terá que tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento.

Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos mantermos vivos.

Que será dos homens sem os animais? Se todos os animais desaparecem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo isso pode cada vez mais afetar os homens. Tudo está encaminhado.

Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza a as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: Que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo. De uma coisa nós temos certeza: A terra não pertence ao homem branco; O homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.

O homem não tece a teia da vida: É antes um dos seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha e com quem conversa como um amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos.

 Nós o veremos. De uma coisa sabemos, é que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: Nosso Deus é o mesmo deus.

Podeis pensar hoje que somente vós o possuis, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e sua compaixão é igual tanto para o homem branco, quanto para o homem vermelho.

Esta terra é querida dele, e ofender a terra é insultar o seu criador. Os brancos também passarão talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos. 

Mas no nosso parecer, brilhareis alto, iluminado pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueada por fios falantes.

Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver."



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Minha Leitura do momento

imagem: google


Se você está procurando algo inspirador para ler, eu indico este livro.

A Autobiografia de Nélson Mandela - "Uma Longa Caminhada até a Liberdade".

Escolhi este livro porque buscava a história de um grande líder e incentivador no contexto pela Paz e Igualdade de Direitos Humanos.

Até este momento, (leitura) estou fascinada pela sua garra em defender tanto um povo - uma nação.





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

SOBRE O 'ATEÍSMO' (J. Y. Leloup)


imagem: google
Por Catarina Jean Leone

" É necessário que haja um entendimento a respeito das palavras: quando você diz 'ateu', diz 'aquele que não tem Deus'. Qual Deus ? Trata-se, muitas vezes, de uma imagem que nos foi ensinada. Algué
m pode ser ateu e crer na Vida, no Vivente que habita em nós. Ora, Deus é a Vida...As palavras são, muitas vezes, fixações; 'Sou ateu, sou isso, sou aquilo...

(...) Há ateus que dizem que Deus não existe, quer dizer, eles não fazem para si uma imagem e não dão nome preciso à à Realidade Última , o que não os impede de viver na intimidade desta realidade transcendente que ultrapassa os limites de seu ego. Existem caminhadas não religiosas...

(...) Todo ser humano, seja ele quem for, sejam quais forem as etiquetas, pode ter acesso à realidade de que falamos. Todo ser humano tem um coração, e este coração pode alargar-se, amando; todo ser humano tem uma inteligência, e esta inteligência pode ver claramente; todo ser humano pode abrir sua humanidade para aquilo que transcende sua humanidade...Então ele se torna verdadeiramente humano. "

Trecho de A montanha e o Oceano - cap.13
Jean Yves Leloup (Teólogo, Filósofo e Psicólogo)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Daniel Wurtzel - Vídeo surpreendente!

Eu vejo assim...estes dois tecidos se entrelaçando!

Sutileza e Profundidade
Consciente e Inconsciente
Visível e Invisível
Noite e dia
Homem e Mulher
Altos e Baixos
Saúde e Doença...
.
.
.
Os opostos e a impermanência dentro de cada um de nós.




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Poema - "O Momento da Decisão"


Por Adelson Guabiraba

Há decisões nesta VIDA
Que tomamos sem pensar
Não valorizamos o AMAR
E nem sabemos o que é doar
Cultivamos só feridas...

Há decisões nesta VIDA
Que buscamos só valor
E não sabemos que a dor
Nos fere por inoperância
Que unida a ignorância
Não nos deixa caminhar
Afasta-nos do praticar
Da regra pura do AMOR
Aumenta o nosso sofrimento
E nos falta discernimento
Ficamos estacionados
Totalmente perturbados
Sem forças para avançar.

Há decisões nesta VIDA
Que devemos entender
Que as lições vindas da LUZ
Ensinadas por JESUS
Não devemos questionar
Pois somos a criação 
Obra do SUPREMO CRIADOR
Praticar a FÉ COM AMOR
São as regras recebidas
Não somos absolutos
Nem os donos da VERDADE
Ainda nos falta a CARIDADE
Para avaliarmos a VIDA
Unidos pelo bem comum
Buscando a evolução
Entregando-nos de coração
Pela unificação total
Afastaremos todo mal
E assim salvaremos esta
NOSSA PASSAGEM...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Meditando !!!


Além de ESCUTAR com a alma, SINTA com o coração !




Oração do Amanhecer


imagem: google

Senhor


No silêncio deste dia que amanhece, 
Venho pedir-te a Paz
A sabedoria, a força. 



Quero olhar hoje o mundo
Com olhos cheios de Amor,
Ser paciente, compreensivo
Manso e prudente,
Ver além das aparências, teus filhos
Como Tu mesmo os vê, e assim...
Não ver senão o bem em cada um.



Cerra meus ouvidos de toda a calúnia,
Guarda minha língua de toda a maldade. 
Que só de bênçãos se encha meu espírito.
Que eu seja tão bondoso e alegre,
Que todos quantos se acheguem a mim
Sintam Tua presença.



Reveste-me de Tua beleza, Senhor
E que no decurso deste dia,
Eu te revele a todos.




Francisco de Assis

terça-feira, 2 de outubro de 2012