domingo, 1 de março de 2009

RETROCOGNIÇÃO


Por Cynthia Marsola

É um fenômeno parapsíquico que pode ocorrer espontaneamente ou induzido. Também conhecida como regressão de memórias ou regressão à vidas passadas. O indivíduo lembra de fatos, pessoas, experiências ou cenas que encontram-se além da memória física cerebral - possibilitando a auto-conscientização.

Segundo Netherton (1997), esta abordagem terápica (vida passada), nada tem a ver com crenças religiosas e o paciente não precisa aceitar mais do que o procedimento em si para que funcione.(...)

A terapia de vida passada pode ajudar o indivíduo a perceber de onde vem o apego à doença, possibilitando-lhe libertar-se dela. É também muito eficiente em localizar dores físicas.
A dor é uma experiência subjetiva, determinado mal pode sofrer um paciente muito mais do que em outro. Esta terapia demonstra que a dor física está ligada a experiências de vidas anteriores.

(...) É um método terapêutico. Não está, de modo algum, associado ao ocultismo, exceto quanto ao fato de compartilhar da possibilidade de reencarnação.(...)

No decurso do mecanismo de revelação do passado, o paciente fica inteiramente cônscio do que ocorre e pode processar as informações que o inconsciente reproduz.

O objetivo desta terapia é unicamente ajudar as pessoas a lidar com a realidade das suas vidas AQUI e AGORA.(...)

Já para Hans (1997), esta abordagem possui como meta a CATARSE (é uma liberação que conduz a uma paz emocional e intelectual), (...) trás declarações verbais, imaginações, sentimentos e sensações somáticas.

(...) Como base de investigação esta terapia foi pouco pesquisada. Johannes Cladder publicou material interessante sobre terapia de vidas passadas em fobias (1986), Helen Wambach fez um estudo com 26 terapeutas desta técnica (1986), e no BRASIL, Ney Peres avaliou, em (1983), os resultados da terapia da reencarnação.

No Brasil, de 43 pacientes, 35 foram a uma vida passada e oito não. Após uma média de 17 sessões, 13 tratamentos foram bem-sucedidos, três terminaram sem resultado após uma média de seis sessões, 11 pacientes interromperam o tratamento após uma média de três sessões e 13 ainda estavam em tratamento na época da pesquisa. (...) Não existe uma correlação entre acreditar ou não na reencarnação e entrar ou não em uma vida passada. (...)

(...) A pesquisa mais importante até hoje (data do livro, 1997) foi realizada por Winafred Lucas, que mostrou que durante uma terapia de vida passada eficaz, paciente e terapeuta exibem um padrão de onda cerebral que é maior em beta e delta, simultaneamente, e baixo em alfa e teta.

Para Woolger (2008), o propósito de se contar a história de vidas passadas é fazer o sofrimento neurótico do indivíduo voltar às suas autênticas raízes psíquicas, de modo que ele possa desligar-se das situações atuais das quais não faz realmente parte.(...)

O autor ainda complementa, no plano da consciência integral, todas as vidas passadas estão presentes para o Self e todos os papéis são conhecidos como aspectos do Self. Os papéis do bem e do mal existem, mas apenas como partes de um drama maior, não como absolutos em si. Não podemos ter um universo sem bem e mal, assim como não podemos ter um universo sem altura ou profundidade, como Ananda K. Coomaraswamy disse certa vez. Estes são os eixos da realidade espiritual e fenomenal. Eles criam a tensão dinâmica dos opostos, necessária para a realidade criada tomar consciência de si.

Referências:

- Netherton, Morris – Vida Passada: uma abordagem psicoterápica / tradução de Angenor Mello Pegado e Thereza dos Reis. São Paulo. Summus, 1997.

- TenDam, Hans – Cura Profunda / tradução de Patrícia Fischer. São Paulo. Summus, 1997.

- Woolger, Roger. J. - As Várias Vidas da Alma / tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo. Cultrix, ed.7, 2008.

RESPIRAÇÃO HOLOTRÓPICA





Por Cynthia Marsola
Psicóloga


Criada pelo psiquiatra Stanislav Grof esta técnica é utilizada com a intenção de influenciar a consciência através da respiração (que gradativamente vai sendo acelerada), música evocativa e trabalho corporal. Com isso, possibilita reviver aspectos de cargas emocionais intensas incluindo momentos que vão desde o nascimento até os dias atuais.
Estas experiências a medida que são revividas, são integradas com um novo significado, melhorando assim, a conexão e a dimensão existencial do ser com a vida.



PSICOLOGIA INTEGRAL


Por Cynthia Marsola

É uma compreensão de consciência humana que Ken Wilber demonstra através do modelo dos quadrantes: interior (consciência introspectiva) e exterior individuais (comportamento observável) e interior (nossas crenças culturais) e exterior (a sociedade em que vivemos) coletivos. Os quadrantes interagem entre si e a cada um consiste nove níveis de consciência, o que determina a Filosofia Integral angariando o melhor do pré-moderno, moderno e pós-moderno.

A espiral dinâmica de desenvolvimento proposto por Wilber está relacionado com as condições de vida, com a interação do papel que desempenhamos e com as nossas relações do nosso mundo interno e externo.

GENOGRAMA


Por Cynthia Marsola

É uma técnica que permite obter informações/estruturas sobre o núcleo familiar e o lugar que cada um ocupa neste sistema. Uma vez que o genograma funciona como um mapa, é conveniente que o terapeuta auxilie incluindo dados e fatos da história também a médica, dos membros deste sistema.
Com o genograma, ainda temos à possibilidade de vermos como ocorre as relações da família atual, à dos casais, os nascimentos, as mortes, os natimortos, os abortos etc.

CONSTELAÇÃO FAMILIAR



Por Cynthia Marsola - Psicóloga

Uma nova abordagem que engloba a fenomenologia e a sistêmica, foi criada pelo alemão Bert Hellinger um Teólogo, Filósofo e Psicoterapeuta. Seu trabalho é desenvolvido num tripé ao qual denominamos: pedagógico, familiar e social.

Em seus trabalhos ressalta a importância das 3 consciências: a consciência pessoal, a consciência coletiva e a consciência espiritual. Também ressalta sobre as “ordens do amor” e as “ordens da ajuda”. Reconhece como essencial os campos mórficos que são estruturas passadas (uniões afetivas, coletivas) que se fazem presentes no núcleo do sistema e podem ser modificadas a medida que o sistema também se modifica. Com isso, compreendemos o quanto é honroso as experiências vivenciadas pelos nossos antepassados e o quanto ainda estão vivos e presentes nos sistemas familiares de hoje.

Assim, origina-se que sua abordagem demonstra soluções e movimentos que a alma do sistema necessita, o que estava desconfortável, agora segue com outro sentido, o destino e o pertencer a cada um, a seu modo.

CUIDANDO DO CORPO/CHAKRAS


Por Cynthia Marsola
Psicóloga

Os chakras são responsáveis pela estimulação das energias de certas partes do nosso corpo. Se por alguma razão estão em desequilíbrio, poderá causar doenças nessas áreas. Os sete chakras principais:

-Chakra Básico ou Muladhara:

Localização: base da coluna
Em equilíbrio: sensação de segurança, estabilidade e firmeza.
Em desequilíbrio: pode causar obesidade, anorexia nervosa, prisão de ventre.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: inexistente.
pessoal: assumir, aceitar e controlar.
natural: Sentir os pés, a pele e andar descalço.

-Chakra Esplênico ou Svadhishthana:

Localização: abaixo do umbigo
Em equilíbrio: fertilidade, sensualidade e sexualidade.
Em desequilíbrio: impotência, frigidez, problemas uterinos, dificuldade para dormir.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: terapia.
pessoal: solidão de cicatrização.
natural: contato com o mar, rio, água e vegetais.

-Chakra Gástrico ou Manipura:

Localização: plexo solar
Em equilíbrio: confiança em nós mesmos.
Em desequilíbrio: ansiedade, pavor, não consegue ficar com os outros, agressividade, pode causar diabetes.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: terapia em grupo.
pessoal: enfrentamento social.
natural: contato com o sol e com os animais.

-Chakra Cardíaco ou Anahata:

Localização: região cardíaca
Em equilíbrio: desenvolve amor incondicional, espiritualidade e a clarividência.
Em desequilíbrio: mágoa, culpa, ressentimento, pode causar doenças do coração e pulmonares.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: terapias intensas.
pessoal: perdão.
natural: ar puro, florestas, montanha, cavalos para resgatar sentimentos puro.

-Chakra Laríngeo ou Vishuddha:

Localização: garganta
Em equilíbrio: compreensão, expressão verbal criatividade.
Em desequilíbrio:timidez exagerada, incapacidade de se comunicar, pode gerar dor de garganta, desequilíbrios da tireóide e paratireóides.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: psicodrama, arte e laborterapia e terapia em grupo. pessoal: lidar com limites e disciplina.
natural: cromoterapia e meditação.

-Chakra Frontal ou Ajna:

Localização: ponto entre as sobrancelhas
Em equilíbrio: intuição, memória, telepatia e clarividência.
Em desequilíbrio: pode gerar doenças mentais ou cerebrais, obsessões, alucinações e desatenção.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: psicodrama e regressão.
pessoal: reforma íntima e aceitar transformação.
natural: cromoterapia e meditação.

-Chakra Coronário ou Sahasrara:

Localização: topo da cabeça, consciência universal
Em equilíbrio: compreensõ total.
Em desequilíbrio: soberba, depressão, possessões, convulsões e pode gerar doenças mentais ou cerebrais.
Sugestões de tratamentos e desbloqueios:
psicológico: terapias intensas.
pessoal: reforma íntima, humildade e aceitação de prova.
natural: contato com a natureza e meditação.

DEFICIÊNCIA? QUEM NÃO TEM...


“ATITUDE HUMANITÁRIA SOBRE A DEFICIÊNCIA: FRATERNIDADE IRMÃ CLARA (FIC).”

Por Cynthia Marsola - Trabalho realizado em estágio (06/2008)


RESUMO

A escolha por este tema foi devido a minha intenção em querer compreender como fica o profissional e a família, que vem em busca de melhores condições na qualidade de vida de um membro em seu contexto diferenciado, e, na maioria das vezes, o filho.
Compreensão esta que poderá ser um apoio afetivo, emocional, psicológico para suportar e superar todas as suas frustrações e expectativas de uma suposta “cura” para este membro.
Será que este profissional terá todas as condições estruturais em sua personalidade para superar limites e, conseguir auxiliar este núcleo familiar diferenciado por conta de uma demanda que a própria sociedade tenta encobrir, excluindo-o? E esta mãe, como será que tem enfrentado tamanha situação, já que desde a gravidez idealizou um bebê perfeito, e de repente, sem estar preparada, depara-se com uma criança diferente, com deficiência, o que fazer, como fazer e quem procurar?

Para Shakespeare (citado por Santos 1993), as deficiências ocorrem ou se tornam óbvias em diferentes épocas da vida de uma pessoa. Há indivíduos que já nascem com uma deficiência e, em outros casos, a deficiência pode ser adquirida através de acidentes ou deformidades. (...) A maioria dos casos de Síndrome de Down e de deformidades físicas é reconhecida quando a criança nasce, mas numerosas deficiências só se evidenciam ao longo do desenvolvimento emocional, motor, cognitivo e social.

Segundo Farber (citado por Santos 1993), quando a deficiência mental é percebida
pelas famílias como um evento incontrolável, podem ocorrer dois tipos de crises. Uma delas é a crise trágica que se caracteriza pela frustração de objetivos e aspirações da família. A outra é a crise de desorganização de papéis que se caracteriza por uma perturbação no ciclo de vida familiar.

Segundo Glat (1999), o trabalho com o deficiente mental, ou qualquer outro tipo de deficiente, pode ser altamente estressante e ameaçador, porque, como lembra o eminente psicanalista francês Pierre Fédida (1984), o deficiente nos remete à nossa própria fragilidade, à nossa própria deficiência, à percepção de nossa própria experiência fragmentada. Esta representação simbólica que o relacionamento com o deficiente provoca, ocasiona no terapeuta, como não poderia deixar de ser, um processo de contra-transferência que traz à tona uma série de emoções que interferem -- principalmente se delas ele não tem consciência -- em sua relação com o cliente.

Junior e Messa (2006) diz, os pais projetam uma criança em suas mentes e, desde o princípio da gravidez, fantasiam (...). E o lugar desta criança na família é determinado pelas expectativas que os progenitores têm sobre ela.
O nascimento de uma criança com deficiência, portanto, confronta toda a expectativa dos pais, e a família é acometida por uma situação inesperada. Os planos de futuro para essa criança são abdicados, e a experiência de parentalidade deve ser ressignificada.
Por várias dificuldades acarretadas e acumuladas dentro destas famílias, que passam por situações traumáticas diante de um nascimento não esperado, tentarei compartilhar algumas experiências minhas dentro de uma instituição, visando o lado específico dos cuidadores e depois ampliando para a família.

INTRODUÇÃO

Nossa proposta de estágio está voltada inicialmente para a observação in loco na instituição, com a possibilidade de uma intervenção. Entretanto, uma nova possibilidade me foi concedida e, então, este estudo passou a ter como objetivo geral, o levantamento de dados sobre a instituição e entrevistas com profissionais de diversos setores. A instituição, abriga crianças portadoras de paralisia cerebral (PC), que pertence a camadas populares.

Para Coll e Marchesi (2004), as formas de (PC) podem ser classificadas por seus efeitos funcionais e pela topografia corporal. De acordo com os efeitos funcionais, os quadros clínicos mais freqüentes são a espasticidade, a atetose e a ataxia, e, como quadros menos freqüentes, ocorrem a rigidez e os temores. Deve-se levar em conta que raras vezes se apresenta em uma criança uma tipologia pura, mas quadros mistos. De acordo com a topografia corporal, pode-se falar de paraplegia, tetraplegia, monoplegia e hemiplegia.

Embora as crianças com PC manifestem muitas vezes uma capacidade extraordinária de compensação e de substituição com relação ao que se considera como mecanismos essenciais para o desenvolvimento cognitivo suas limitações para explorar e manipular o ambiente, para falar, escrever, etc. Podem significar em muitos casos que, sem os suportes pedagógicos adequados, esses alunos não consigam efetivar suas potencialidades intelectuais.
Este autor ainda cita, como idéias gerais, vale destacar que a educação do aluno com PC terá de ser sempre um trabalho em equipe, na qual o professor atue em estreita colaboração com outros profissionais, entre os quais encontraremos quase sempre o fisioterapeuta e o logopedista. Muitas vezes farão parte da equipe o terapeuta ocupacional, o psicólogo e o médico reabilitador ou outros especialistas.

Em se tratando de crianças com PC, a colaboração e o trabalho psicopedagógico com os pais e ou cuidadores próximos da criança é de extrema relevância, para que o desenvolvimento seja mais agradável e que o núcleo familiar possa compartilhar com o membro suas dificuldades e suas limitações, aproveitando ao máximo suas potencialidades.

REFLEXÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO

Todo novo começo gera medos, medos estes que muitas vezes não saberemos o que iremos fazer, o que iremos encontrar e se conseguiremos lidar com o que poderá ou não vir a acontecer. Diante disto, será que o nosso emocional sobreviverá, e como reconhecer se posso ou não enfrentar minhas limitações se não me deparar com este novo, com a deficiência.

(texto recebido pela internet sem assinatura, 2006).

“Você tem experiência?”

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me
queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei
todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de
ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador
e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei
me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo
a barba apressado,já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,mas descobri que
essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,já escrevi no muro da escola,já chorei
sentado no chão do banheiro,já fugi de casa pra sempre, e voltei
no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando,já
fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina
sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os
meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não
encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o
sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei
com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que
era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo
chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas
lentes da emoção,guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
"Qual sua experiência?"Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência... experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?
Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora
gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou
esta pergunta: "Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"

Um novo significado foi dado para esta nova experiência e faço das palavras deste texto como minhas, para expressar um pouco o que sinto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para que possamos compreender um sujeito necessitamos compreender seu contexto inserido, ou seja, seu núcleo familiar, suas relações e inter-relações, seja ele qual for, e então, teremos condições de compreendermos a respeito das suas dificuldades.

De acordo com Lane (2004), a família tende a ser sempre tão preservadora, ou, melhor dizendo, tão conservadora; pois as relações de poder que caracterizam os papéis familiares são sempre apresentadas como condições naturais e necessárias para a sobrevivência dos filhos, como condições biológicas, não se distinguindo o que é determinado histórica e socialmente do que é fisicamente necessário para a preservação da espécie.

E segundo Bleger (citado por Guirado,1987), o indivíduo não nasce no isolamento para vir a desenvolver uma sociabilidade, o que existe a princípio é a diferenciação entre o eu e o outro, como ponto de partida para o desenvolvimento.
Segundo conceitos do IBGE,considera-se como família o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência, que residissem na mesma unidade domiciliar e, também, a pessoa que morasse só em uma
unidade domiciliar. Entendeu-se por dependência doméstica a relação estabelecida entre a pessoa de referência e os empregados domésticos e agregados da família e por normas
de convivência as regras estabelecidas para o convívio de pessoas que morassem juntas sem estarem ligadas por laços de parentesco ou dependência doméstica. Definiram-se como famílias conviventes aquelas constituídas por, no mínimo, duas pessoas cada uma, que residissem na mesma unidade domiciliar.

Segundo Santos (1993), para que possamos compreender a necessidade do
atendimento à família do deficiente, é interessante caracterizar o quadro de sofrimento desta, que tem início a partir do momento em que é reconhecida a condição de seu filho afetado.
Visto os olhares de vários autores sobre o que é a instituição familiar e suas relevâncias, segue-se uma que abordo com mais sutileza e respeito por trazer uma realidade que muitas vezes se torna complexa e em crise. Principalmente, quando estas diferenças são visíveis e expressas em nossa sociedade como o diferente sendo, “o coitadinho” ou “o incapacitado”.

Amiralian (1986), aponta a maioria das famílias tem pouca experiência em lidar com uma estrutura familiar que necessita de mudanças, principalmente porque a chegada de um filho que é diferente gera muitas crises, e aceitar um filho excepcional implica em reorganizações de valores e objetivos, e que muitas vezes a família não está preparada para tal mudança. Além do problema específico de aceitação da criança, os pais enfrentam dificuldades com os outros membros da família: o tempo que a mãe dedica ao seu filho divergente, em detrimento dos outros membros da família, principalmente dos outros filhos, pode vir a constituir uma séria dificuldades no relacionamento familiar.
A autora ainda frisa que a primeira etapa de orientação familiar consiste em auxiliar os pais a uma aceitação emocional da criança excepcional, que pode ser definida como a concordância entre os fatores internos (sentimentos dos pais) e os fatores externos (a realidade da situação). Só então os pais terão condições de propiciar situações que favoreçam o desenvolvimento pleno de seus filhos.
Reflito e trago como aprendizado concreto com base no tratamento visto dentro da instituição, que além da parte teórica à respeito do que vem a ser a deficiência com a qual iremos trabalhar é primordial a compaixão, a dedicação e o amor com todos que estão a nossa volta, principalmente o comprometimento com os assistidos de reconhecer que muitas vezes um olhar, um toque, uma palavra, a paciência, o saber esperar o momento dele e não o nosso são ferramentas de desenvolvimento e capacitações de melhora para este indivíduo que mesmo sendo diferente em alguns aspectos, em outros se torna igual a nós, afinal é um ser humano e precisa de no mínimo respeito.

Aprendi muito com a realização deste estágio, e agradeço a oportunidade de ter experienciado o contato com outros cuidadores.
Concluo, que todo aquele profissional que reconhece em si suas limitações e suas impotências na íntegra, está preparado para trabalhar onde quer que seja com amor, paciência e humildade, desenvolvendo sempre o seu melhor.

REFERÊNCIAS:

-AMARAL, L. A. Conhecendo a deficiência; em companhia de Hércules. São Paulo, Robe.1995.

-AMARAL, L. A. Pensar a diferença/deficiência; Brasília, CORDE. 1994.

-AMIRALIAN, M.L.T.M. Psicologia do excepcional. - São Paulo: EPU,1986. p.45-52

-COLL,C.; MARCHESI, A.; Palácios & Colaboradores, Desenvolvimento Psicológico e Educação. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 3v. p.215-233.

-GLAT,R. Refletindo Sobre o papel do psicólogo no atendimento ao deficiente mental: além do diagnóstico - Psi -Revista de Psicologia Social e Institucional, V.1, Nº1 – Jan. 1999.

-GUIRADO,M. Psicologia Institucional. - São Paulo: EPU,1987.p-15 ; 25-35

-GULA,P.; PINHEIRO, N. (2006) Entre o limite e a esperança: Relato de uma experiência em psicologia institucional. Psicologia: Ciência e Profissão. 2007,27(2), 358-366.

-JUNIOR,F.A.G.; MESSA, A.A. (2006) Pais, filhos e deficiência: estudos sobre as relações familiares. Psicologia: Ciência e Profissão. 2007,27(2), 236-245.

-LANE,S.T.M. O que é psicologia social - São Paulo: Brasiliense, 2004. p- 45

-MASINI,E.A. F.S; BECKER, E; PINTO, E. B. 7 AMARAL, L. A. Deficiência: Alternativas de Intervenção. São Paulo,Casa do Psicólogo, 1997.

-ROTTA,T.N. Paralisia cerebral, novas perspectivas terapêuticas. Jornal de Pediatria, Sociedade Brasileira de Pediatria. Vol. 78, Supl. 1/ S.48- 54, 2002.

-SANTOS,E.F.R.R. Atendimento às Famílias de Deficientes: uma análise das propostas institucionais a partir dos relatos de profissionais que atuam na área – Universidade Federal de São Carlos, 1993 (Dissertação de Mestrado).

www.unipaz.pt/artigos - (Acesso em 13, de maio de 2008).
http://www.ficfeliz.org.br/ – (Acesso em 20, de maio de 2008).
"http://www.ibge.org.br/" www.ibge.org.br href="http://www.ibge.org.br/"- (Acesso em 26, de junho de 2008).

SOBRE PSICOSE


“O TRATAMENTO DA PSICOSE EM INSTITUIÇÕES DE SAÚDE: OBSERVAÇÕES NO INSTITUTO A CASA.”

Por Cynthia Marsola - Trabalho realizado em estágio (11/2007)

INTRODUÇÃO

Nossa proposta de estágio está voltada inicialmente, a observação in loco, num hospital dia com pacientes psicóticos e neuróticos graves. Privilegiando todas as formas de expressões verbais ou não-verbais que nosso paciente expressa. Paciente este, que deverá ser acolhido pela equipe e pela instituição, de modo que possibilite um compartilhar de interações sociais e, não uma acolhida que já conhecemos, e, que privilegiávamos, como sendo a melhor eficácia, o isolamento e a medicação. Acarretando, a impossibilidade de um sentido para si e uma própria identidade.

O hospital - dia A Casa, baseia-se num contexto em que, a ênfase consiste em criações e elaborações realizadas não só pelos profissionais, mas, numa compreensão e limitação individual, onde cada paciente tenta “esboçar” sua própria maneira de estar neste seu mundo, que também é o nosso. Oferecendo várias atividades ao longo do dia, (já que o paciente não é internado, entra pela manhã por volta das 9:00 e sai em torno das 17:00) tais como: grupos de psicoterapia e terapia ocupacional , grupo de encontro, de passeio, reunião de família e serviço de atendimento de emergência.

Segundo o psiquiatra Márcio P. S. Leite, em seu artigo na revista mente e cérebro (2005) diz , “(...) a loucura deixou de ser universal, uma loucura de tudo e de todos, uma loucura dos deuses que criaram uma loucura do mundo, e passou a ser uma loucura de cada um que, levando em conta o particular deste sujeito, passou a ser apenas loucura dos homens. No entanto, é uma armadilha pensar a loucura com a linguagem da razão, porque a loucura constitui um saber recusado pela própria produção. A loucura propõe-se como a razão da desrazão (...)”.

“(...) O sujeito para a psicanálise não é a consciência, não é a experiência,
não é o sentido; ele está constituído por uma verdade. (...)”

Por estas e outras razões e desrazões, acredito numa intervenção e num cuidar diferenciado dos que tem nos mostrado, e que no meu modo de relacionar-me com o paciente psicótico não condizia, como cita Tavolaro (2004),

“(...) o manicômio tornou-se um “depósito de loucos”, superlotado, com os horrores dessa situação: fome, sujeira, doença, violência.(...)”

Minha escolha por este tema, foi feita também por conta de ser um olhar diferente, do tratar diferente deste “louco”, dos até então itens demonstrados acima e pela paixão que tenho pela doença mental.

Como diz Pereira (1984), no seu livro “O que é loucura”,

“(...) A loucura não expressa os verdadeiros mistérios do mundo, mas
oferece ao homem a verdade de si mesmo, isto é, suas fraquezas,
seus sonhos e suas ilusões. Portanto, a loucura existe nos indivíduos
humanos, isto é, há diferentes formas humanas de loucura. E cabe à
crítica moral denunciá-las, ou seja, denunciar as ilusões nascidas do
apego que o homem mantém por si mesmo.(...)”

REFLEXÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO

Um novo significado foi dado, à partir de uma nova realidade sobre um tema que “sempre” foi nos mostrado amedrontador, haja visto, o olhar da sociedade sobre a loucura. Mas, o que será esta loucura, senão uma nova maneira de lidar com um sofrimento, uma tristeza, um vazio.
Claro que depende da época em que iremos focar, o significado será outro, portanto, a maneira de tratá-la também.

Segundo Foucault (2000), em seu livro “Doença mental e psicologia” cita:
”Na patologia mental, dá-se o mesmo privilégio à noção de totalidade psicológica; a doença seria alteração intrínseca da personalidade, desorganização interna de suas estruturas, desvio progressivo de seu desenvolvimento: só teria realidade e sentido no interior de uma personalidade estruturada. Neste sentido tentou-se definir as doenças mentais, segundo a amplitude das perturbações da personalidade, e daí chegou-se a distribuir as perturbações psíquicas em 2 grandes categorias: as neuroses e as psicoses”.

As psicoses, são perturbações da personalidade global, comportam: um distúrbio do pensamento (pensamento maníaco que foge, flui, desliza sobre associações de sons ou trocadilhos, pensamento esquizofrênico, que salta, ultrapassa os intermediários e procede por saltos ou contrastes) (...)”.

Nas neuroses, pelo contrário, somente um setor da personalidade é atingido: ritualismo dos obsedados com respeito a um objeto, angústia provocadas por tal situação na neurose de fobia. Mas o fluxo do pensamento permanece intacto na sua estrutura(...)”

A personalidade torna-se, assim, o elemento no qual se desenvolve a doença, e o critério que permite julgá-la, é ao mesmo tempo a realidade e a medida da doença.
Neste trecho recordo-me de uma experiência na Casa, onde estou conversando um pouco com o paciente S. que sempre tem algo interessante para contar e já nos direcionando para a oficina de bijuterias (à qual nós estagiárias, nos propusémos a ficar), dou início a atividade e, fazendo meu colar porém, atenta nas minhas observações S. senta-se entre eu e a J. (estagiária) e de repente, levanta meio impaciente e começa a chorar, só que da maneira que expressa seu choro todos achavam que ele estava rindo (...).

Aqui, fica uma reflexão sobre este ocorrido, que cada sujeito vai expressar sua “doença” da maneira e o modo que melhor possibilite sua falta, falta esta que poderá ser a de um significante.; (que segundo Lacan, corresponde a uma imagem acústica, ou gráfica do conceito).

De acordo com Soler (2007), em seu livro “O inconsciente a céu aberto” cita: “A psicose é pensada ali numa problemática que se situa no nível do Simbólico e do Imaginário, consistindo toda a questão no acolchetamento do Simbólico com o Imaginário.(...) De certa maneira, a ênfase é inversa à dada por Freud, que havia acentuado muito a pulsão sexual. É claro que Freud constrói também uma doutrina mais complexa, na qual prevalece a questão do mecanismo e que o leva a esta frase admirável para nós: “O que é foracluído do simbólico retorna no real.”
Ou seja, aquilo que foi foracluído do simbólico retorna como forma de alucinações, podendo ser: visuais, auditivas, olfativas e táteis. E, também por meio de delírios, (sendo que neste à uma forma de auto-elaboração e portanto uma tentativa de simbolizá-lo).

Lembro-me de uma outra experiência ocorrida num passeio, próximo da Casa, num parque, no dia da doença mental, onde a paciente R. com diagnóstico de esquizofrenia hebefrênica, surpreende-me numa atividade de teatro. Ela foi escolhida para desempenhar a filha de um casal, e de repente, a fala dela modifica-se de “eu acho que ... mais ou menos” , para “o amor tem que ser incondicional”. Neste momento eu e minha colega uma olha para a outra e, começamos a sorrir, um sorriso de emoção e ao mesmo tempo com os olhos marejados, sentimos uma satisfação de que esta paciente que tanto estudamos tem algo muito expressivo que nos afeta, mas que tem algo para nos dizer também.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

“A loucura pode estar embutida em cada um de nós” (J. Lacan)

Tenho neste presente trabalho, angariado experiências de profunda contribuição ao ter tido a oportunidade de presenciar uma das grandes demandas em nossa área profissional, os pacientes diagnosticados psicóticos.
Porém, durante várias visitas ao decorrer deste estágio, fui me deparando com pequenos detalhes tanto enquanto pessoa como profissional. Um dos primeiros entre tantos, foi o fato de que estando ao lado destes pacientes percebo que, um limiar muito tênue entre a “normalidade e o equilíbrio” nos separa, e que para nos tornarmos bons profissionais como diz: Calligaris (2004), em seu título “Cartas a um jovem terapeuta”,

“(...) é improvável que uma psicanálise aconteça sem que um sofrimento
reconhecido motive o paciente. O processo não é necessariamente
desagradável, mas pede uma determinação e uma coragem que podem
falhar mais facilmente em quem não precisa de tratamento. (...)”

Portanto, qual seria então a melhor forma de tratar uma das estruturas mais complexas?

Durante a supervisão foi nos orientado dentro de um olhar lacaniano, ao qual não foi fácil compreendê-lo em seus textos complexos, mas recorríamos também a sugestões de filmes e “comparações” com o nosso fundador da psicanálise, Freud.
Outra contribuição em minha vivência seria a de que está na essência do ser, em seu caráter e constituição personalítica, ter compaixão proporcionando ao outro aquilo que favoreça em seu processo de crise. E isto pode ser: um abraço, um olhar,um auxílio em colocar uma água no copo ou simplesmente estar ao seu lado, buscando restituí-lo em sua auto-imagem. Há uma responsabilidade em seus atos, há uma responsabilidade no como faz e no que faz, e isto pude observar diretamente no Instituto A Casa.
Por outro lado, a “anormalidade social”, delegada pela nossa sociedade acaba contribuindo numa desmoralização na recuperação ou como diz Lacan, numa tentativa de estabilização. Já que, “(...) a psicose apresenta-nos desencadiamentos repentinos, inesperados desencadeamentos – surpresa, assim como remissões às vezes enigmáticas (...)”, diz Soler.
Sabemos também, que muitas vezes uma das características deste nosso paciente ocorre através de seu vínculo com seu terapeuta, pois possibilita reviver suas relações de objeto, apesar de não ter esta consciência. Isto é o que chamamos de transferência.
Minha experiência mais significativa foi participar interagindo diante destes pacientes, durante suas atividades em momentos de crises e nos discursos que bem sabemos depois de vários textos citados, que um significado pode aparecer num delírio significante, basta ficar atento na escuta neste momento. O essencial é compreender como Soler (2007) diz: “(...) o estado do sujeito neurótico ou psicótico depende do que se desenrola no Outro (...).”

Quanto as dificuldades cito três momentos que me marcaram muito, o primeiro foi quando o paciente L. me viu a primeira vez, que foi no pátio, cumprimentei-o
da mesma maneira como foi feito com os outros e ele por um momento fica olhando-me profundamente nos meus olhos parado fixamente, neste momento olho para minha colega e procuro agir “normalmente”, porém ele pergunta se somos T.O (terapeuta ocupacional), respondo dizendo que não, e que fazemos psicologia. Logo, parece não ter gostado vira-se para ir embora.
Posso dizer que, fiquei um pouco intimidada, afinal estou iniciando e não sei o que seria o certo. Hoje sei que o certo também, é ter “bom senso” no agir, segundo uma T.O, mas não é só.

Depois num outro momento, estou na sala da T.O as atividades já estão acontecendo e de repente entra o paciente J, todo agitado perguntando por mim. E as T.O.S. responde está ali, e aponta para mim.Vou em sua direção com o meu olhar e cumprimento-o, fica mais tranquilo e sai da sala, em direção a sua.

Numa outra situação, no ambulatório, chegamos fomos cumprimentar a todos e um paciente o S. estava hiper agitado e começou a narrar um acontecimento do dia anterior com seu irmão, estava muito ansioso contando e argumenta que gostaria muito de falar isto para a terapeuta dele, porém a mesma diz para ele aguardar pois, está muito ocupada. E me pergunta se pode me contar o resto, digo o que ele achava e se sentiria bem me contando. Escolhe contar, nisso a terapeuta se aproxima e pela expressão facial parece não ficar satisfeita interrompe nossa conversa e pergunta ao S. se agora gostaria de conversar, ele diz apontando em minha direção que eu poderia explicar, afinal já falei tudo pra ela. Então digo, que o melhor seria ele dizer pois expressaria os sentimentos e emoções, e que a terapeuta o conhecia a mais tempo que eu. Peço licença e vou retirando-me.

Ás vezes, temos que tomar decisões que até então nos pareciam as mais simples, porém em outros contextos nosso olhar se modifica e acabam sendo longos processos de crescimento até decidir no que fazer.

Expresso aqui meus melhores sentimentos de gratidão, por esta oportunidade tão valiosa e batalhada, já desde a divisão de grupos pela escolha do estágio. Embora tenha sido sorteado, pois, a solicitação para esta opção foi muito grande, vários significados me foram desocultados e entendendo que para cada pessoa sua história tem um sentido muito maior do aquele simplesmente desvelado.

“ (...)Encontrei o significado da minha vida, ajudando os outros a encontrarem o sentido de suas vidas.(...)” (Viktor Emil Frankl)

REFERÊNCIAS:

-CALLIGARIS, C. Introdução a uma clínica diferencial das psicoses. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1989.

-CALLIGARIS, C. Cartas a um jovem terapeuta: o que é importante para ter
sucessoprofissional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

-BLEICHMAR, H. Introdução ao estudo das perversões:a teoria do Édipo em
Freud e Lacan. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.

-FARJANI, A. C. Psicanálise e Quantum: a ligação entre a Psicanálise e a Física
Quântica. São Paulo, Plêiade, 1995.

-FOUCAULT, M. Doença Mental e psicologia. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro,2000.

-LACAN, J. O Seminário – livro 3: As psicoses . Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
1997.

-LAPLANCHE, J. Vocabulário da psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001

-LEITE, S. P. Márcio. Revista - Viver mente e cérebro –Coleção memória da
psicanálise nº4.- A Lógica do Sujeito Lacan. 06/2005.

-PALONSKY, Cintia M. Estruturas clínicas na clínica: a histeria. Belo Horizonte:
PUC, Minas, 1997.

-PEREIRA, F. A. João. O que é loucura. Ed. Brasiliense, 1984.

-SOLER, C. O inconsciente a céu aberto da psicose. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 2007.

-TAVOLARO, D. A casa do delírio. São Paulo : Senac, 2004.

UMA EXPERIÊNCIA NO ALBERGUE

ALBERGUES: “O OLHAR DA PSICOLOGIA SOBRE A VIVÊNCIA DE PESSOAS INTITUCIONALIZADAS.”

Por: Cynthia Marsola - Trabalho realizado em estágio (06/2007)

INTRODUÇÃO: Desde a Idade Antiga, o diferente causava uma certa repugnância e uma ameaça à sociedade e eram vistos como sendo fruto de uma influência externa delineando a concepção de loucura. Na Idade Média, qualquer pessoa que não aceitava o que estava descrito na Bíblia ou que se diferenciava da Igreja Católica era um herege, logo, mais uma fase da história em que o diferente era excluído. Na Idade Moderna, acabavam sendo comercializados ou então, sendo motivo de diversão como sendo os bobos da corte – sendo considerados como doentes mentais. Portanto, torna-se extremamente relevante este período da história para que possamos compreender e entender melhor todo o andamento do psíquico da humanidade e os porquês de certas atitudes que vigoram até os dias atuais.

Segundo Guilhon de Albuquerque (citado por Guirado1987), a instituição não é um lugar no espaço ou uma organização em particular, mas, um conjunto de práticas ou de relações sociais concretas. Trabalhar com psicólogo Institucional não seria, portanto, trabalhar no espaço físico de uma instituição, seja ele qual for, reeditar a compreensão é a técnica de trabalho da relação psicoterapeuta/cliente, examinador/examinando, selecionador/selecionado. Seria sim, trabalhar com relações de determinada prática institucional. “A análise institucional é, ao mesmo tempo, uma disciplina, que trata dos processos ideológicos e de poder que têm lugar em instituições concretas, uma política de intervenção psicossocial em instituições, organizações e grupos, e um movimento destinado a programar a doutrina institucionalista e a transformar a realidade.”

Portanto, a solicitação e/ ou aceitação de uma intervenção psicológica depende do tipo de reconhecimento que a instituição elabora, tanto com respeito à sua “necessidade” de um psicólogo, quanto com relação ao papel que este profissional deverá desempenhar. Bleger (citado por Guirado,1987) aborda a questão da burocracia das Organizações como tendo respaldo nesta estruturação particular da personalidade e, portanto, nas condições da relação interpessoal e grupal. Assim, podemos dizer que a organização faz parte da personalidade, que o grupo e a organização são a personalidade de seus integrantes.

OBJETIVO E RELEVÂNCIA SOCIAL

Segundo a pesquisa de Janaína Machado Simões (2004), o Projeto Oficina Boracea é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de São Paulo que visa atender à população em situação de rua.

O programa estabelece parcerias com órgãos públicos e da sociedade civil, propondo ser um referencial no setor, inovando no atendimento à população citada. Cerca de 1.000 pessoas usufruem diariamente dos serviços de arte, cultura e educação. Funcionando 24 horas por dia, o programa busca sempre a preservação da dignidade e individualidade. Porém, é imprescindível serem destacados os grandes pontos fortes do projeto, que dizem respeito principalmente à: heterogeneidade das organizações envolvidas, à forma de gestão, à diversidade e qualidade dos serviços prestados e ao oferecimento de oportunidades de reinserção aos indivíduos em situação de rua. Você poderia imaginar uma vida sem outras pessoas? A vida humana é eminentemente social, um exerce influência sobre o comportamento do outro, simplesmente pela observância de determinadas atitudes. Diante de tudo isto, o projeto tem como finalidade o incentivo e a esperança àqueles que ainda estão a caminho da saída desta situação – as ruas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proposta de prevenção e promoção de saúde nas organizações enfatiza a receptividade e a observação voltada para o olhar clínico. Desta forma, foi nos apresentado estar desenvolvendo uma tarefa no Instituto Cirineu, Albergue Ueze Zahran, com a demanda de: moradores de rua, com deficientes físicos e alguns vindos de hospitais psiquiátricos. Entretanto, ocupar este lugar de estagiária de forma singular a uma população em total “abandono”, (descuido) e total carência, enfatiza o quão humana é a tarefa de estarmos aptas a doar-nos e nos desprender do nosso eu e, se ver no eu do outro. Porém, devido às normas burocráticas institucionais e as limitações que não cabem a nós, fomos transferidas para outra instituição - o Albergue Boracea.

Fomos bem recebidas, e a perspectiva de “trabalho” sobretudo do grupo foi mais dinâmica quanto ao esperado. Assim, devido a vários percalços o objetivo que era de nos ater ao primeiro contato enquanto estagiárias/profissionais de saúde em instituições - nos trouxe uma experiência muito enriquecedora e uma compaixão ao que o outro nos relata que, muitas vezes são incompreendidos e ignorados por “ter” alguma deficiência, ou seja, ser o diferente dentro de uma sociedade que caracteriza e distingue o normal do patológico. Embora nossa observação de trabalho do psicólogo/intervenção evidencia uma nova possibilidade de mudança a essa população de “miséria humana”, nos sentimos muitas vezes impotentes sem saber de fato por onde começar uma “ajuda”. Mesmo assim, gostaríamos de ter tido mais oportunidades práticas, que infelizmente não pudemos realizar de todo, embora as atividades tivessem sido programadas. Bleger aponta que “o psicólogo é definido como um profissional da saúde e não da doença. Ou seja, à postura que ele atua diferencia nos demais lugares da instituição”.

REFERÊNCIAS:

BUSTOS, Dalmiro M. O Psicodrama: Aplicações da Técnica Psicodramática / 3º ed./ São Paulo: Ágora, 2005.

GONÇALVES, Camila Salles, Lições de Psicodrama: Introdução ao pensamento de J.L. Moreno / Camila Salles Gonçalves, José Roberto Wolff, Wilson Castello de Almeida – São Paulo: Ágora, 1988.

GUIRADO, Marlene, Psicologia Institucional – Temas Básicos de Psicologia / v.15 / EPU, 1987. LANE, Silvia T. Maurer, O que é Psicologia Social - 22º ed. / Coleção Primeiros Passos, Ed. Brasiliense, São Paulo, 1994.

SIMÕES,Janaína,Machado,www.inovando.fgvsp.br/conteudo/documentos/20experiencias2004–pesquisado em 18/06/2007 -SERRANO, Alan Indio, O que é Psiquiatria Alternativa – 7º ed./Coleção Primeiros Passos, Ed. Brasiliense São Paulo: 1992.